O número de pessoas ativas na B3, a Bolsa de Valores Brasileira, subiu incríveis 106,9% em apenas um ano, na comparação entre outubro de 2019 e outubro de 2020. Totalizamos, hoje, mais de 3,1 milhões de brasileiros em atividade direta no mercado de capitais. Os números impressionam, ainda mais em um ano de pandemia, com a pior crise sanitária e financeira de nossa história.

Entretanto, em que pese todo o caos ocasionado pela Covid-19, o ano tem se demonstrado uma grande oportunidade para discutir alguns assuntos, dentre eles, as temáticas relacionadas ao ESG, que, em inglês, significa Environmental, Social and Governance – ou, em português, ASG, referindo-se à Ambiental, Social e Governança.

Para facilitar, apresentamos um breve conceito de cada um dos critérios:

  • Fatores ambientais: uso de recursos naturais, emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano), eficiência energética, poluição, gestão de resíduos e efluentes.
  • Fatores sociais: políticas e relações de trabalho, inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, treinamento da força de trabalho, direitos humanos, relações com comunidades, privacidade e proteção de dados.
  • Fatores de governança: independência do conselho, política de remuneração da alta administração, diversidade na composição do conselho de administração, estrutura dos comitês de auditoria e fiscal, ética e transparência.

No mundo dos investimentos, investimento ESG é aquele que incorpora questões ambientais, sociais e de governança como critérios na análise, indo além das tradicionais métricas econômico-financeiras e, com isso, permitindo uma avaliação das empresas de forma holística.

Sim, queridos leitores, o mundo dos investimento já não têm apenas no lucro o seu principal critério de análise. Como este lucro é conquistado e o impacto dele na sociedade importam cada vez mais.

Para dar contexto a estes significados, em números, globalmente, mais de US$30 trilhões em ativos sob gestão (AuM, sigla em inglês para “Assets Under Management”) são gerenciados por fundos que definiram estratégias sustentáveis. Só na Europa são US$14,1 trilhões, equivalente a mais de 50% do AuM total do continente, enquanto nos Estados Unidos esse número já representa ~25%. 

Nos últimos anos, cada vez mais investidores estão colocando o conceito de “investimentos responsáveis“ como fator decisivo na alocação de recursos e esse movimento deve se intensificar adiante.

O interesse cada vez maior pela temática ESG tem rapidamente transformado a indústria de investimentos ao redor do mundo e, particularmente, penso que isso é um bom indício do que está por vir no país. A pandemia do Coronavírus agiu como um catalisador e vemos um número de razões estruturais pelas quais a participação dos investimentos ESG continuarão ganhando força no Brasil. Compartilho, assim, da visão de que as empresas que não se adaptarem a este novo cenário ficarão para trás.

Para mim, o ESG é um processo, não cabendo, portanto, uma classificação binária ou estacionária, não se trata de ser ou não ser ESG: o que vemos são diferentes companhias em diferentes estágios dessa jornada. Esta fluidez que me anima a estudar, acompanhar e me aprofundar cada vez mais nestas temáticas.

Temos, por sorte, um mundo em constante evolução e individualmente cabe a cada um de nós os movimentos para acompanhar estas evoluções, nos preparando para darmos os passos necessários, cada um a sua maneira, velocidade e intensidade.

Vamos mergulhar juntos nestas temáticas, buscando, a cada semana, irmos um pouco mais a fundo.

Autor

Marcelo Bohrer

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